Central Nuclear

01 Março 2006

O «Expresso» anti-nuclear (ii)



Está, agora, feita a leitura devida.
Repare-se na chamada à primeira página: «Carlos Pimenta diz que proposta de Patrick é perigosíssima».
Lá dentro, nas páginas 14 e 15, encontramos Carlos Pimenta (anti) e José Penedos (do género: «não-sendo-anti-também-não-sou-propriamente-pró-Antes-pelo-contrário»).
Quanto ao texto «O regresso do nuclear», trata a questão pelo crivo preconceituoso de Carla Tomás (com J. F. Palma-Ferreira, Rui Cardoso e Virgílio Azevedo). Parece-me que uma equipa de quatro jornalistas teria condições mais do que suficientes para dar à liça um texto superior e esclarecedor. Infelizmente, é pouco mais do que Suficiente.
Temos, depois, «10 perguntas para um debate», que terão sido inspiradas numa qualquer cartilha ortodoxo-ambientalista, e que não trazem nada de verdadeiramente relevante para a discussão e esclarecimento público. As dez perguntas rezam coisas como: «Em caso de acidente, como são indemnizadas as vítimas» (sexta pergunta). Em caso de acidente?... Limitados a 10 perguntas, os jornalistas Carla Tomás e Virgílio Azevedo não encontraram nada de mais útil para perguntar? É, de novo, o agitar da bandeira da catástrofe nuclear. E se uma barragem abrir uma fissura que determine a inundação de zonas habitadas? E se uma pá de um gerador eólico se desprender e decepar um habitante que passeava à cata de cogumelos? E se uma mina de carvão matar os mineiros que estão a extrair matéria que vai ser queimada na central de produção eléctrica a carvão? E se for uma central de produção eléctrica a petróleo a explodir? E, já agora, quais são os números da chave do próximo euromilhões?
É uma pena. É ridículo e perdeu-se uma boa ocasião para escrever uma peça pedagógica, em vez de claramente nucleofóbica.