Central Nuclear

06 Janeiro 2006

O futuro Nuclear, “tabu” ou necessidade?



Gostei de ler o editorial de José Manuel Fernandes no Público de ontem (“Vamos Falar do Tabu?”, Público, 5/01/06). Devo, no entanto, notar que todo o seu argumento parte da premissa errónea, ao considerar um projecto nuclear nacional “como um tabu”.
Um “tabu”, normalmente, refere-se a um caso “silencioso”, presente na mente pública mas não debatido. Esta está longe de ser a realidade da questão nuclear.
Um futuro projecto nuclear, não só está ausente do imaginário público, como se tornou, ao longo dos anos de atraso económico, fonte de pudor e temor político.
Uma opção nuclear é, dificilmente, encarada como uma prioridade programática das principais forças políticas. Esta não é sequer um empreendimento de um executivo majoritário.
Idilicamente, qualquer passo político no sentido nuclear só poderá ser dado por um governo majoritário em segundo mandato, gozando de um lato consenso institucional e político (Gov.- PR/Principal Oposição), sustentado por favoráveis indicadores económicos e financeiros e com larga participação pública. Mas a opção nuclear nunca será um corolário de ocasiões idílicas, o seu futuro passará pela necessidade de subsistência e crescimento.
A nossa presente dependência face a fontes energéticas externas criou uma séria ligação umbilical de insegurança entre o crescimento económico nacional e flutuações de preços no mercado, perturbações domésticas dos Estados fornecedores, preços e condições de transporte e capacidade e volume de escoamento.
Como o próprio JMF refere, não há “soluções milagrosas”, mas a redução dos condicionantes externos na sustentação da produção nacional será, indubitavelmente, um factor fulcral para o nosso crescimento.
Um passo nuclear no sentido da auto-subsistência eléctrica resultará na melhor sustentação da nossa produção industrial, como num acréscimo à nossa posição competitiva no mercado energético ibérico.
Reduzir a dependência da nossa capacidade produtiva face a terceiros só poderá passar pela consolidação de uma base de subsistência nas energias solar, eólica e nuclear.
Especializações tecnológicas da produção nacional necessitam de um enquadramento energético sólido. O futuro passa pelo futuro e dele depende a margem competitiva de Portugal.